São Paulo, 11 de Setembro de 2001, uma escola de Inglês. Nos intervalos entre uma aula e outra, todos corriam para a secretaria. Espremidos diante da TV de 20 polegadas, assistiam 10 minutos da cobertura jornalística que se estendeu por todo o dia. Os rostos denunciavam espanto, curiosidade, preocupação, indiferença, e, às vezes, uma mistura de tudo isso.
Juntos, professores, secretárias, alunos e coordenadoras especulavam sobre o que viam nas imagens. Curiosamente, havia menos especulação sobre as razões para o ocorrido do que sobre como as consequências daquilo afetariam o mundo. Isso me passou despercebido na época, mas hoje é ponto digno de reflexão.
Dez anos atrás, meus alunos estudavam Inglês porque se falava Inglês nos Estados Unidos e no Reino unido. Essa é uma análise simplista, mas surpreendentemente precisa. Nosso país tropeçava nos próprios passos e se encontrava à mercê dos ventos políticos e econômicos vindos da Europa e, principalmente, da América do Norte. Havia no ar um medo subserviente. Temíamos as consequências da reação do que, na época, encarávamos como um grande gigante. Temíamos que a fúria da maior potência do mundo poderia deixar algo respingar em nós.
Dez anos se passaram, e estudar Inglês continua sendo igualmente (ou mais) importante. Contudo, as razões para fazê-lo não são exatamente as mesmas. Hoje, o argumento que se mais ouve é que nosso aluno aprende uma língua estrangeira para se conectar a uma comunidade global, na qual vários países têm extrema relevância, e o Brasil é um deles. Hoje se aprende uma língua estrangeira porque o mundo se interessa por nós.
O medo subserviente foi substituído pela segurança de que, cada vez mais, o lugar que ocupamos no mundo é de protagonista, não de coadjuvante.
E isso faz toda a diferença.


